METEORITOS

Meteoritos: Introdução                                                        (contato) paleozoic.neto@gmail.com;         twitter: @meteor_man1

 DEFINIÇÃO:

 Meteorito é um fragmento de rocha que formou-se no vácuo do espaço há 4,5 bilhões de anos, no início do Sistema Solar, e se aglomerou em asteróides, cometas, planetas e satélites naturais.

Estas rochas cósmicas caem na Terra e são recolhidas para estudos e pesquisas.
Estes não sofreram praticamente nenhuma modificação ao longo do tempo e portanto conservam a matéria original formada nos primórdios do Sistema Solar. Isso permite estudar as condições iniciais e a composição original do sistema planetário onde vivemos. Alguns meteoritos podem sofrer processos de recristalização com modificação de seus componentes no interior de outros planetas ou satélites naturais ou devido à atmosfera, erosão ou processos vulcânicos nestes.
Eles são divididos em:
NÃO-ALTERADOS: Não sofreram bruscas modificações em sua composição original.
ALTERADOS: Sofreram processos de modificação de seus materiais primordiais.
A maioria dos meteoritos 

Os meteoritos são classificados em:

        *ACONDRITOS (Aerólitos)
                -ACAPULCOITOS
                -AUBRITOS
                -ANGRITOS
                -BRACHINITOS
                -LODRANITOS 
                -LUNAÍTOS
                -UREILITOS
                -WINONAITOS
                -H.E.D. (HOWARDITTOS-EUCRITOS-DIOGENITOS)
                -S.N.C. (SHERGOTTITOS-NAKHILITOS-CHASSIGNITOS)

        *CONDRITOS
                -ORDINÁRIOS
                -CARBONÁCEOS
                -ENSTATITOS
                -RUMURUTTITOS
                -TIPO KAKANGARI

        *SIDERITOS
                -Exemplos:
                -CAMPO DEL CIELO
                -CANYON DIABLO
                -MUNDRABILLA
                -SIKHOTE ALIN

        *SIDERÓLITOS
                -MESOSIDERITOS
                Ex.: VACA MUERTA
                -PALLASITOS
                Ex.: IMILAC

Neste contexto, existem três definições: os meteoritos pétreos ou rochosos (CONDRITOS E ACONDRITOS), rocho-metálicos (SIDERÓLITOS) e metálicos (SIDERITOS).
Destes, caem na Terra com mais frequência os CONDRITOS que representam cerca de 87,7% dos meteoritos coletados.

ORIGEM DOS METEORITOS:

Os meteoritos têm origem, na sua maioria, em asteróides e cometas.
A abundância de metal, sendo que há predominantemente ferro e níquel na composição metálica dos meteoritos, pode ser explicada pelo fato de que os asteróides não têm gravidade suficiente para reter em seu interior, no núcleo, os elementos pesados e deixar os de mais baixa densidade em camadas superficiais, distribuindo, assim, o material metálico, quase que uniformemente em seu conteúdo. Essa observação também pode ser aplicada ao caso dos cometas, sendo que estes muitas vezes não podem ser ditos como semelhantes ou mesmo iguais aos asteróides. Muitas vezes, os cometas são rochas de gelo e material de poeira interplanetária.
Os asteróides são corpos relativamente pequenos (o maior asteróide estudado é Ceres que tem um diâmetro médio de 900Km, mas foi promovido para planeta anão) que representam a matéria residual da formação do Sistema Solar. Os asteróides se organizam em dois grandes cinturões. O primeiro está entre a órbita de Marte e Júpiter separando o Sistema Solar interior do exterior. O segundo circunda o sistema solar além da órbita de Plutão e é denominado cinturão de Kuiper.
Os cometas têm origem na nuvem de Oort, um aglomerado de corpos semelhantes aos asteróides, localizado a 30000 UA do Sol. Estes se deslocam devido a colisões com outros desses corpos e são atraídos pela gravidade do Sol e ao aproximarem-se deste formam uma cauda que pode se dividir em uma componente de gás ionizado e outra de poeira e partículas que são "sopradas" pelo vento solar.


                            ASTERÓIDE IDA FOTOGRAFADO PELA SONDA GALILEU DA NASA.
 
 
                                                      ESTRUTURA BÁSICA DE UM COMETA

 
OS TIPOS DE METEORITOS: FORMAÇÃO, COMPOSIÇÃO E ORIGEM:

 -ACONDRITOS:
   -Formação: Os acondritos são rochas alteradas. Sendo assim, eles se formaram primeiramente como corpos pequenos (asteróides) que se aglomeraram em planetésimos para depois formar os planetas e satélites naturais, ou são provenientes de asteróides recristalizados-basálticos-como o asteróide 4-Vesta. Nos planetas, como Marte, as rochas originais que deram origem ao astro, são modificadas por ações de erosão dos ventos, da pressão de radiação, atividades vulcânicas, oxidação, metamorfização, etc. O solo de planetas como Marte e de satélites como a Lua, são muito desgastados pela ação da radiação do vento solar e os raios cósmicos e pelos impactos de meteoróides que formam muitas crateras e lançam pedaços dos solos para o espaço. Esses pedaços podem vir a cair na Terra, e quando são recolhidos e analisados, constata-se tratar-se, por exemplo, de um fragmento acondrítico de Marte, isto é, um meteorito marciano.
    -Composição: A composição química dos acondritos é muito semelhante a das rochas terrestres, por esta razão, estes são os meteoritos mais difíceis de se diferenciar das demais rochas comuns. Os acondritos podem ser rochas vulcânicas como o basalto (se o fragmento vier do asteróide de basalto 4-Vesta, por exemplo). Eles podem conter olivinas, plagioclasos, piroxenos, etc.
    -Origem: Em resumo, os acondritos são qualquer meteorito lítico ou rochosos que não possuem côndrulos. Veremos mais adiante o que são os côndrulos. Os acondritos têm origem em asteróides compostos de basalto e sedimentos vulcanizados (Vesta), em planetas como Marte e na Lua. Ainda não se tem conhecimento de meteoritos vindos de outros lugares como dos anéis de Saturno ou das luas de Júpiter.

O METEORITO ALH84001, ENCONTRADO NA ANTÁRTIDA, É UM ACONDRITO ORIUNDO DO PLANETA MARTE.
 
 

METEORITO TATAHOUINE, RARO ACONDRITO DIOGENITO. ENCONTRADO
NO DESERTO DE TATAHOUINE NA TUNÍSIA.

 
-CONDRITOS:
   -Formação: os condritos são rochas criadas no processo de resfriamento e condensação de partículas rochosas e metálicas em uma massa que se organizou em planetésimos e asteróides. Os condritos são os mais comuns dos meteoritos, representam cerca de 87,7% dos meteoritos encontrados. Estes contém estruturas em todo o seu conteúdo, estas estruturas são os côndrulos. Os côndrulos são esférulas de material pétreo, cristalino e metálico que se formaram no princípio do sistema solar. Alguns, assim como muitos acondritos, podem se apresentar como BRECHAS (rochas compostas de pedaços angulares e justapostos por um cimento, originária de impactos no solo do asteróide).
   -Composição: são compostos por materiais bem semelhantes ao dos acondritos, contêm magnésio em forma de diversos cristais, óxidos, cristais de ferro-níquel, etc. Com exceção dos materiais vulcânicos e metamórficos que só podem proceder em ambientes de erosões e atividades vulcânicas. Entre outros minerais, que são olivinas, piroxenos, anfibólios e feldspatos, a existência de ferro e níquel já começa a ser relevante no grupo dos condritos, pois estes vêm de asteróides e estes são, na maioria das vezes, ricos nestes dois metais cosmicamente abundantes. É preciso enfatizar que o ferro, o enxofre, o carbono, o cálcio, o magnésio e o níquel, são elementos cosmicamente abundantes, excetuando o hidrogênio e o hélio que predominam no Universo.
    Devido à existência de ferro e níquel nos condritos, este podem ser classificados em:
    CONDRITOS L (Anfoteritos): contém pouco Fe-Ni.
    CONDRITOS LL (Hiperestênios): contém muito pouco Fe-Ni.
    CONDRITOS H (Bronzitos): contém quantidades consideráveis de Fe-Ni.
   -Origem: os condritos são oriundos dos asteróides (de classe espectral S, D ou C). Os condritos são uma família que reúne basicamente três tipos de condritos, dois tipos extremamente raros, e um caso a parte:
    CONDRITOS ORDINÁRIOS: São os condritos comuns ou de composição simples, podendo se encaixar nas classificações L,LL,H. 
    CONDRITOS CARBONÁCEOS: São relativamente raros, pois se fragmentam muito fácil na entrada da atmosfera. Os condritos carbonáceos são ricos em carbono na forma mineral de andusita (um sal de magnésio e carbono) e podem conter matéria orgânica como hidrocarbonetos complexos. Os carbonáceos são uma espécie de objeto de incessante estudo dos astrobiólogos por supostamente mostrarem ser a pedra de roseta para a origem da vida em nosso planeta e em outras regiões do Universo.
    CONDRITOS ENSTATITOS: Esses também podem ser tidos como raros, eles são muito semelhantes aos condritos ordinários com uma diferença, que é a existência de materiais cristalinos que são refratários como o ortopiroxeno enstatita, além de outros silicatos em menor quantidade. 
    O caso a parte são os:
    CONDRITOS BRECHA: São meteoritos que apresentam côndrulos, mas que possuem um aspecto heterogêneo, constituído de diversos pedaços de diferentes composições e texturas untados em uma unica massa, são rochas resultantes de impactos em asteróides condríticos, são extremamente raros.

 
                            CONDRITO ORDINÁRIO, OBSERVE OS CÔNDRULOS EM SEU INTERIOR. 

 
                                                   CONDRITO CARBONÁCEO ALLENDE.


 
                                                       CONDRITO ENSTATITO

 
                                                           CONDRITO BRECHA


   -SIDERITOS:
     -Formação: formaram-se a partir da condensação dos metais em pequenos corpos. São possivelmente restos de núcleos de antigos proto-planetas.
     -Composição: são compostos basicamente por uma liga metálica que não pode ser fabricada nem naturalmente, nem artificialmente na Terra. Essa liga consiste em uma mistura metálica rica em ferro e níquel, podendo conter fosfatos e sulfatos em quantidades menores, sendo que em quantidades muito pequenas pode se encontrar carbono, cálcio e magnésio. Os meteoritos metálicos ou sideritos, contém em seu interior uma complexa matriz metálica chamada de estrutura de Widmanstaten. O meteorito é cortado transversalmente e a parte interior é tratada com ácido nítrico e polida para exibir a estrutura de Widmanstaten. Assim como os condritos, os sideritos podem ser classificados em:
    HEXAEDRITOS: Não apresenta estruturas de Widmanstatten de Ni varia de 4% a 7%
    OCTAEDRITOS: As estruturas formam um octaedro e a quantidade de Ni varia de 7% a 12%
    ATAXITOS: Não há estruturas de Widmanstatten, apresenta matriz metálica niquelosa e espelhada e a quantidade de Ni é maior ou igual a 12%.
    -Origem: os sideritos têm origem exclusiva nos asteróides metálicos de classes espectral M ou S.
    São exemplos de espécies de sideritos: Campo Del Cielo, Canyon Diablo, Mundrabilla, Sikhote Alin.
Os sideritos são difíceis de encontrar. Representam 5,7% dos meteoritos catalogados, no entanto, devido a sua densidade extremamente alta em relação aos demais tipos de meteoritos, representam 90% da massa total dos encontrados.
A seguir, temos exemplos dos 4 tipos de meteoritos metálicos:

                                                                       
                                                  METEORITO CAMPO DEL CIELO

 
                                                      METEORITO CANYON DIABLO


                                                      METEORITO Lewis Cliff 88023

 
                                                        METEORITO SIKHOTE ALIN

 
 -SIDERÓLITOS:
    -Formação: Os siderólitos se formaram da mesma forma que os sideritos, porém o material rochoso se cristalizou junto ao material metálico formando asteróides rocho-metálicos. Nos siderólitos há uma quantidade grande e visível de ferro e níquel (OBS.: Não existe meteorito que contenha metal sem o níquel), e também uma quantidade significativa de materiais líticos, estes formam uma mistura heterogênea de pedra e metal.
    -Composição: os siderólitos contém uma porção rochosa e uma porção metálica:
    Porção rochosa: mesma composição química dos condritos e dos acondritos, predominando cristais de olivina(nos pallasitos) e feldspatos e piroxenos (nos mesosideritos). 
    A olivina é um mineral de cor amarela a verde e transparente, pode haver ocorrência de piroxênios que é um cristal escuro e translúcido. Os fedspatos são compostos minerais de cor acinzentada ou clara tendendo para o marfim cinzento. 
    Porção metálica: a matriz de Fe-Ni pode ser predominante em relação aos materiais pétreos (pallasitos) ou podem se apresentar como veios e pedaços dispersos na matriz rochosa predominante (mesosideritos).
    -Origem: os siderólitos podem vir de asteróides de classe espectral S (os asteróides de classe espectral S podem ser metálicos como podem ser rocho-metálicos.
    Existem dois tipos de siderólitos, são estes:
    MESOSIDERITOS: A porção rochosa predomina sobre a porção metálica.
    PALLASITOS: A porção metálica predomina sobre a porção rochosa.

 
                           METEORITO MESOSIDERITO, OBSERVE O METAL DISPERSO NA ROCHA

 
                                   RARO MESOSIDERITO, OBSERVE AS "RODELAS" DE METAL

                                  INTERIOR DE UM PALLASITO, OBSERVE A MATRIZ METÁLICA                                                                          PREDOMINANTE SOBRE OS CRISTAIS PÉTREOS

                    

 
Sabemos que meteorito é uma rocha espacial que é atraída pela gravidade da Terra e acaba entrando na atmosfera, queimando e derretendo com o atrito mecânico até perder seu material totalmente ou parcialmente e, muito raramente, chega ao solo.
Quando a rocha está bem próxima da Terra, ela é chamada de meteoróide, quando entra na atmosfera torna-se um meteoro (a popular "estrela cadente"), quando chega a troposfera é chamado bólido (bola de fogo) e ao impactar o solo é chamado meteorito.
Um meteorito é o que  sobrou de um meteoróide (um pedaço de asteróide ou cometa) ao entrar na atmosfera terrestre.
Iremos estudar brevemente os meteoros.

ANÁLISE DOS METEOROS:

Um meteoro, na meteorologia, é qualquer fenômeno atmosférico. Existem vários tipos de meteoros:
HIDROMETEOROS: São as nuvens por exemplo
LITOMETEOROS: São partículas de poeira que ficam em suspensão no ar formando uma névoa poeirenta.
ELETROMETEOROS: São os raios e as tempestades elétricas em geral
FOTOMETEOROS: O arco-íris por exemplo. 

Mas para a Astronomia, o meteoro é exclusivamente, a queda de um meteoróide ou a passagem deste rasante na atmosfera.
Existem dois tipos de mostragem de um meteoro:
ESPORÁDICOS: São aqueles que aparecem em um ponto qualquer do céu e em seguida, dificilmente, aparece outro.
CHUVAS DE METEOROS (CHUVEIROS): São a ocorrência de meteoros em um intervalo de minutos ou horas.
As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra está numa região de poeira interplanetária ou quando está próxima do rastro poeirento deixado pela passagem de um cometa. Estes fragmentos representam ameaça para os satélites e outros equipamentos orbitais, mas não representam ameaça para quem está na superfície, pois as partículas vaporizam-se muito antes de chegar à troposfera.
Do ponto de vista de um observador situado na superfície da Terra, no chuveiro, os meteoros parecem sair de um ponto em comum no céu, esse ponto é chamado de RADIANTE e ele nomeia os chuveiros por se situar, aparentemente, em constelações específicas. Cada tipo de chuveiro pode ocorrer em um período do ano.
Assim, as chuvas de meteoros recebem nomes especiais de acordo com a constelação onde fica o radiante. É dada abaixo a tabela com as chuvas de meteoros e suas respectivas constelações e períodos de ocorrência:  

Nome período taxa    Constelação
 Quadrantídeas 03 jan  120        Bootes
 Lirídeas 22 abr   15        Lyra
 Eta-Aquarídeas 05 mai   50        Aquarius
 Delta-Aquarídeas 29 jul   15        Aquarius
 Persêidas 12 ago   80        Perseus
 Orionídeas 21 out   20        Órion
 Taurídeas 12 nov   10        Taurus
 Leonídeas 17 nov  100        Leo
 Geminídeas 14 dez   80        Gemini

Na tabela, o período apresentado é o de ocorrência máxima de chuvas, a taxa é dada em meteoros/hora, quando falamos em 80meteoros/hora, significa dizer que se você tiver paciência de ficar olhando o céu por uma hora conseguirá ver uma média de 80 meteoros. A constelação é onde fica o radiante da chuva, daí o nome dos chuveiros serem análogos ao das constelações consideradas.

O meteoro é luminoso porque quando este se aquece, devido ao atrito com as camadas de ar atmosférico, até uma temperatura média que pode chegar a 3000 ºC, passa a emitir radiação de comprimentos de onda cada vez menores e, consequentemente, de maior frequencia, portanto de maior energia que ultrapassa o infravermelho e chega a luz visível ou espectro luminoso visível. A luz emitida pelo material meteórico incandescente pode ser branca, azulada, amarela, avermelhada ou verde. A cor vai depender da composição química do material meteórico, visto que a luz emitida depende do elemento químico considerado, por que na física quântica sabemos que a radiação eletromagnética é emitida e absorvida pelos elétrons nas camadas eletrônicas dos átomos. A frequencia determina a energia da radiação e consequentemente depende da posição em que o elétron se encontra no átomo, isto é, se ele estiver próximo do núcleo ele tem baixa energia e emitirá ou absorverá radiações de baixa frequência, ou se ele estiver longe do núcleo, emitirá ou absorverá radiações de alta frequência, por este ter alta energia.

Na meteorítica utiliza-se a palavra ablação. Ablação é o desgaste do meteoróide devido ao atrito com a atmosfera terrestre. Este desgaste é produzido pelo calor, e  ocorre perda de massa que se vaporiza ou se fragmenta no ar antes de chegar ao solo. O meteorito pode apresentar um formato como que se tivesse sido rasgado pelo ar, estes são chamados de meteoritos orientados, ocorre muito com sideritos. Quando o meteoro ainda não se fragmentou por completo e chega a troposfera, ele tem grande chance de chegar ao solo. Quando ele está bem próximo da superfície ainda incandescente em processo de resfriamento, é chamado de bólido. Às vezes o meteoro esfria tão rapidamente, devido o seu exterior estar muito aquecido e seu interior estar muito frio por este vir do espaço e, dependendo de sua composição química, pode explodir no ar em vários fragmentos menores que caem na superfície e não formam cratera devido ao tamanho insignificante dos fragmentos (que podem variar de tamanhos microscópicos até alguns centímetros). Isto foi o que ocorreu com o acondrito diogenito Tatahouine, recuperado na Tunísia.

                                                        


O fenômeno ocorrido em 1908 em Tunguska, na Sibéria, até hoje é objeto de constante estudo, pois foi algo muito misterioso.
Em 1908, um estranho acontecimento abalou uma região florestal em Tunguska. Um clarão seguido de um estrondo rasgou o céu e varreu uma vasta região de árvores sem deixar nenhuma cratera de impacto.
Atualmente, a explicação dada para Tunguska é que um asteróide ou cometa rochoso que explodiu violentamente no ar antes de impactar a superfície provocando uma onda de choque e de calor que destruiu as árvores e queimou tudo em volta. 

O que não aconteceu em Tunguska é exatamente o que costuma ocorrer quando um meteoro de dimensões muito grandes (da ordem de alguns metros) cai, é ocasionar uma astroblema.
Astroblema é uma cratera de impacto de um meteoro. Existem duas crateras de impacto meteórico muito conhecidas na Terra. Uma é a METEOR CRATER, uma cratera no deserto do Arizona. A outra é a de Chic-Xulub no México, onde acredita-se ter ocorrido o cataclisma que deu fim a era dos dinossauros. Os meteoritos Canyon Diablo são fragmentos do meteoro original que formou a METEOR CRATER.

 
                                                          CRATERA DE BARRINGER

IDENTIFICANDO UM METEORITO:

Para identificá-lo no "olhômetro", faremos antes uma consideração geral sobre duas propriedades físicas dos meteoritos e duas propriedades físicas que nunca serão dos meteoritos.

PROPRIEDADES FÍSICAS DOS METEORITOS VERDADEIROS:

-MAGNETISMO:
Se você acha que encontrou um meteorito, a primeira coisa que deve fazer é aproximar da pedra um imã (de preferência um superimã, porque se o meteorito for um acondrito ou um condrito LL, a atração magnética será fraca devido à pouca quantidade de Fe-Ni) para ver se esta contém metais.
Mas nem toda rocha magnética é um meteorito. Os minérios de ferro como a magnetita e a hematita além de conterem metais e atraírem imãs, possuem uma semelhança muito grande com os meteoritos. No entanto, a densidade destes minérios sempre será diferente da densidade de qualquer meteorito. Portanto, deve-se testar a segunda propriedade física.

-DENSIDADE:
Os meteoritos podem ser diferenciados das pedras terrestres por se fazer um cálculo da sua densidade.
São dadas abaixo tabelas com as densidades médias dos meteoritos:

                  

Condritos Ordinários:

LL3.21 (± 0.22)
L3.35 (± 0.16)
H3.40 (± 0.18)

Condritos Enstatitos:

EL3.55 (± 0.1)
EH3.72 (± 0.02)

Condritos Carbonáceos:

CI2.11
CM2.12 (± 0.26)
CR3.1
CO2.95 (± 0.11)
CV2.95 (± 0.26)
CK3.47 (± 0.02)*

Acondritos:

Aubritos3.12 (± 0.15)
Diogenitos3.26 (± 0.17)
Eucritos2.86 (± 0.07)
Howarditos3.02 (± 0.19)
Ureilitos3.05 (± 0.22)
Shergottitos3.10 (± 0.04)
 Chassignito3.32*
Nakhlitos3.15 (± 0.07)

Siderólitos:

Mesosideritos4.25 (± 0.02)
Pallasitos4.76 (± 0.10)

Sideritos:

Meteoritos metálicos têm uma composição de Ferro-Níquel de densidade aproximada igual a 7g/cm3 - 8g/cm3.

OBS.: As espécies de condritos carbonáceos não precisam ser relevantes em nosso contexto. Podemos sintetizar uma "densidade absoluta" para um condrito carbonáceo como sendo de 3 g/cm³.

Observe que nos condritos enstatitos não existe a espécie ELL, isso porque os enstatitos têm mais metais do que os outros condritos.

Agora que sabemos as duas principais propriedades físicas dos meteoritos, vamos saber o que não acontece em um meteorito.

-EMISSÃO DE CALOR:
Um meteorito, recentemente depois de sua queda, não continua emitindo calor como se fosse uma fonte de raios infravermelhos, ele entra em processo de resfriamento como qualquer outro material comum, isto é, quando na superfície seu conteúdo não está completamente fundido, apenas uma pequena porção superficial da pedra se fundiu e fica fria rapidamente, a crosta de fusão. Ele de forma alguma continuará indefinidamente quente. Isso não existe.

-RADIOATIVIDADE:
Por mais interessante que possa ser discutir se existe um meteorito radioativo, isso não ocorre na realidade, os elementos radioativos não são abundantes e, no caso dos asteróides, estes não possuem gravidade suficiente para manter estes elementos pesados em seu interior, estes se deterioraram atomicamente e sofreram processos catalíticos (os ventos solares e a radiação cósmica) para essa reação de estabilização radioativa se apressar. Assim, não existe meteorito que contenha urânio ou tório, entre outros. Eles não são ameaça para os seres humanos quando são manuseados.

Agora, se você quiser se tornar um caçador de meteoritos, primeiro analise como estes se apresentam:

-CROSTA DE FUSÃO: Um verdadeiro meteorito, quase sempre, terá uma "casca" escura de aspecto fosco ou vítreo de cor preta, marrom ou verde escuro em sua volta, onde o aspecto verdadeiro do meteorito normalmente é branco, amarelado ou cinza claro. Esta crosta se forma quando o meteoro está se fundindo no calor da ablação, fazendo com que se forme um material residual fundido envolvendo a rocha. Lembre-se de que a crosta de fusão é muito fina. Normalmente esta só forma-se em meteoritos pétreos.

EXEMPLO: 
                            
 


-REGMAGLYTOS: Os regmaglytos ocorrem apenas em meteoritos metálicos, mas também podem ocorrer raramente em meteoritos pétreos, estes são estruturas que são moldadas na ablação, lembram marcas de dedo afundado em uma massa de barro.

EXEMPLOS:

 
 

-CÔNDRULOS: Se o meteorito for rochoso, provavelmente será um condrito. Como saber se é um condrito? Se ele estiver com a crosta de fusão intacta, é preciso cortá-lo e poli-lo para ter acesso ao seu interior. No interior da rocha, haverá os côndrulos, pequenos padrões circulares de minerais. Se estes realmente aparecerem, está confirmado que sua rocha é um meteorito condrito. 

EXEMPLOS:


-EXISTÊNCIA DE FERRO-NÍQUEL E ESTRUTURAS DE WIDMANSTATEN:

As estruturas de Widmanstaten só existem em meteoritos.
A presença da liga ferro-níquel só existe em meteoritos. Os meteoritos não possuem quantidades apreciáveis de outros tipos de metais.
A organização interna de um mesosiderito e de um pallasito é exclusiva de meteoritos.
                 
              DESTAQUE DAS ESTRUTURAS DE WIDMANSTATEN EM CORTE DE SESSÃO TRANSVERSAL DE UM                                                                 METEORITO METÁLICO

                                      CORTE DE SESSÃO TRANSVERSAL DE UM MESOSIDERITO

 
CAÇADORES DE METEORITOS:

Os caçadores de meteoritos são aqueles que procuram encontrar esses tesouros do espaço.
Um caçador de meteoritos deve escolher bem o local onde irá prospectar. Os melhores locais para se procurar meteoritos são nos desertos e nas geleiras da Antártida, Groenlândia, etc. 

Os desertos são bons, porque não erodem rapidamente os meteoritos. Em vez disso, eles são conservados no solo desértico, não por causa do calor solar, mas por causa do frio intenso à noite. Além disso, a areia desértica é amarelada ou alaranjada e as pedras são claras, isso permite um destaque para os meteoritos que geralmente são bem escuros, por causa da crosta de fusão.

As geleiras são excelentes porque os meteoritos caem e ficam conservados no gelo. Daí é só procurá-los que eles se destacarão na neve. A Antártida é campo de intensa procura há muito tempo, sim, há muitos meteoritos para encontrar na Antártida.

No Brasil, existem atualmente 56 meteoritos catalogados. Alguns destes são: o maior, que é o meteorito de Bendegó, descoberto em 1763 na Bahia.
Outro meteorito é o Ibitira, este é um acondrito Eucrito anômalo, isto porque por dentro ele é cheio de furos, como um queijo.

                                              METEORITO IBITIRA, EUCRITO ANÔMALO

No mundo, apenas cerca de 30.000 meteoritos foram encontrados! Isso acontece porque poucas pessoas tem conhecimento sobre os meteoritos e seu alto valor científico e instrutivo. Os meteoritos são a única evidência  concreta da matéria original que formou o Sistema Solar.

"OS METEORITOS SÃO A ÚNICA EVIDÊNCIA CONCRETA DA MATÉRIA 
ORIGINAL QUE FORMOU O SISTEMA SOLAR".
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

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