METEORITOS

Astroblemas

As astroblemas, em meteorítica, são crateras de impacto produzidas pela queda de meteoritos de dimensões suficientes para produzir uma escavação no solo. As crateras de impacto não são abundantes na superfície de nosso planeta, devido às atividades geológicas e atmosféricas ao longo de muitos milhões de anos terem "apagado" a maioria das astroblemas terrestres.
Uma cratera de impacto é resultado do descarregamento da energia cinética muito grande de meteoros de massa e dimensões muito grandes (com diâmetro da ordem de alguns quilômetros) que se converte em calor, energia mecânica, luz e ondas de choque. Mesmo pequenos meteoros podem causar grandes estragos, dependendo de sua densidade ou massa, porque todos eles entram na atmosfera com incríveis velocidades que são maximizadas pelo campo gravitacional do planeta, no entanto, ao longo do percurso, além do meteoro perder massa em decorrência da resistência dos gases e da pressão atmosférica ascendente com a diminuição progressiva da altitude, ele é gradativamente freado, embora obviamente não completamente até eventualmente chegar ao solo, se chegar, e esse freio diminui sua velocidade anterior.
Conclui-se que um corpo celeste sólido como um planeta terá mais crateras em sua superfície se este tiver uma atmosfera rarefeita ou nenhuma. Por isso nossa Lua, Mercúrio e Marte possuem tantas crateras de impacto de diversos tamanhos em sua superfície, porque eles têm respectivamente nenhuma atmosfera, uma atmosfera extremamente rarefeita e uma atmosfera de baixa pressão, tênue. Além disso, esses três corpos exemplares cessaram há muito tempo suas atividades geológicas, isso fez com que não mais "apagassem" suas astroblemas primitivas.

Na Terra, existem algumas astroblemas que merecem destaque pelo seu tamanho e importância científica.
A primeira delas é a Cratera de Barringer, também chamada de Meteor Crater, localizada no Arizona, formou-se há 50 mil anos por um meteorito de ferro de diâmetro médio estimado em 5m, com uma velocidade média de 40 mil km/h. Essa cratera de impacto possui 200 m de profundidade e 1,2 km de diâmetro.
Lá foram encontrados muitos fragmentos do meteorito original que se estilhaçou no interior da cratera recém formada, estes fragmentos são sideritos octaedritos conhecidos pelo nome Canyon Diablo.


 
                             
                                                      METEOR CRATER - ARIZONA

                                                   METEORITO CANYON DIABLO

    A segunda cratera de impacto de grande importância é a de ChicXulub na Península de Yucatán no México. Essa cratera está oculta entre o continente e o oceano, com um diâmetro de 180km, ela é gigantesca e muito antiga, ela formou-se há 65,5 milhões de anos. Acredita-se que essa astroblema foi o marco da destruição dos dinossauros junto de outros animais do período Cretáceo, por um gigantesco meteoro de 10 km de diâmetro.
Essa cratera é tão antiga, que tornou-se difícil reconhecê-la com precisão por estar em um local geológico de tão difícil acesso. Hoje temos imagens digitais da cratera de ChicXulub, e nas imagens percebemos as características típicas de uma astroblema. A relação diâmetro/profundidade, uma borda ligeiramente circular e uma pequena elevação em seu centro.
 




    As astroblemas são geomorfologicamente depressões. Elas se formam devido à pressão intensa exercida no solo ao atingi-lo e, dessa forma, a cratera inicial é um gigantesco buraco cujo material que o preenchia é ejetado e dispersado a volta da cratera se extendendo por até milhares de quilômetros. Dentro da cratera formam-se rochas recristalizadas devido às intensas pressões e do calor gerado pelo impacto, essas rochas são sedimentos do antigo solo que se fundiu e modificou seus minerais. No interior de uma cratera podemos encontrar resquícios do meteoro original e estruturas cônicas chamadas cones de estilhaçamento (shatter cones), formados pelo desgaste instantâneo do solo durante e, recentemente, após o impacto. Astroblemas muito antigas como a de Chicxulub perderam algumas características como as rochas que foram recristalizadas e os resquícios do asteróide que a formou, também não se encontra mais o cone de estilhaçamento. No entanto, uma astroblema, mesmo que antiga e modificada pela ativa geologia de nosso planeta, pode ser identificada se conservada a sua estrutura básica que é uma circunferência, a possível presença de anéis concêntricos às bordas da cratera pelo motivo das ondas de choque geradas no impacto que deixam suas impressões no relevo e pela presença, isso se a cratera tiver um diâmetro mínimo da ordem de 100m, de uma pequena elevação no centro da cratera de impacto que é formada pela pressão perpendicular ao sentido do impacto gerada pelo subsolo que causa uma elevação do relevo. Outra evidência de impacto é o quartzo polimorfo de alta densidade denominado stishovita. As crateras possuem sedimentos ao seu redor, resultado da matéria ejetada e recristalizada como os tectitos, no interior a cratera é constituída de rochas chamadas de brechas de impacto e brechas de fusão.

 

 SHATTER CONES

 

BRECHA DE IMPACTO

 

A região que delimita a cratera é chamada BORDA, a região que pronuncia a depressão é chamada PAREDE, a região interior da cratera é chamada CHÃO, e a elevação central (que nem toda cratera tem) é simplesmente denominada MONTE. Esses nomes das partes de uma astroblema são muito simples, repare que não é diferente para as crateras em outros mundos de nosso sistema solar. Os corpos celestes geologicamente ativos (como Io (satélite natural de Júpiter), tritão (satélite natural de Netuno), talvez Ganymedes (satélite natural de Júpiter), o planeta Vênus, etc) possuirão uma relativa ausência de crateras, essa ausência é diretamente proporcional à atividade geológica do astro, como exemplo o vulcanismo de tritão é frio, os vulcões de tritão lançam para o espaço criomagma isto é gelos de nitrogênio, hidrogênio e água e este criomagma não corrói as rochas da superfície desse satélite que conserva suas antigas astroblemas e relevos e o que ocorre é preenchimento parcial de algumas depressões e crateras mas não o desmanchamento destes. Em contrapartida, io possui cerca de 200 vulcões ativos em sua superfície, esses vulcões lançam cerca de 1000 ton/s de material rico em enxofre em forma de óxidos e sais, o magma de enxofre corrói a superfície de io e suas crateras são desmanchadas, portanto a crosta de io é sempre renovada por material magmático extrusivo que "limpa" as crateras e relevos antigos de sua superfície. Vênus pode ser considerado mais violento que io, isso porque a atmosfera de Vênus é extremamente densa e composta de gases tóxicos, a pressão atmosférica na superfície de Vênus é comparada com a pressão exercida sobre um assoalho oceânico aqui na Terra. A temperatura na superfície do planeta é de 430° C, suficiente para levar o chumbo do estado sólido para o líquido e mantê-lo. Foram descobertos vários vulcõe possíveis de atividade duvidosa, o terreno de vênus é marcado pela corrosão do enxofre ligado aos ácidos e o dióxido de carbono, as astroblemas de Vênus são raras e aquelas que existem em sua superfície são muito grandes (uma média de 10 a 200 km de diâmetro), foram cerca de 700 crateras contadas pela sonda Magalhães que mapeou 95% da superfície do planeta pela técnica de radar. As astroblemas têm uma borda moldada e arredondada, possível resultado da corosão e processos de derramamento de magma nos últimos 700 milhões de anos da história do planeta. Conclui-se que a atmosfera é um fator negativo de preservação das crateras de impacto. Marte é o planeta mais craterizado do sistema solar, fica atrás apenas de Mercúrio, isso porque sua atmosfera é muito rarefeita, para se ter uma idéia, a presão atmosférica no fundo da depressão mais acentuada do planeta vermelho é de 10 milibars, a pressão da atmosfera marciana ao nível do raio do planeta (visto que em Marte não existe nível do mar) é cerca de 1/16 da pressão atmosférica da Terra. Por causa disso, os meteoróides encontram extrema facilidade de chegar ao solo com tamanho considerável para formar uma astroblema de tamanho considerável. Visto que a atmosfera é extremamente rarefeita, os meteoros não sofrem intensa pulverização e a maioria sempre consegue chegar à superfície. É exatamente o oposto de Vênus cuja atmosfera densa e corrosiva não deixa que a grande maioria de meteoritos chegue seuquer a menos de alguns quilômetros da superfície do planeta. Além disso, Marte parou suas atividades geológicas intensas há 100 milhões de anos, um período curto para as escalas de tempo geológico, no entanto essa atividade marciana que incluia o vulcanismo intenso não foi suficiente para destruir grande parte das crateras na superfície. Marte pode ser geologiacamente dividido em duas grandes áreas: os terrenos antigos (com uma idade de 4 bilhões de anos) formados de rochas basálticas ferruginosas e sedimentos, e os terrenos recentes (com cerca de 3 bilhões de anos) formados de rochas recristalizadas pelo magma escorrido, também esculpidas pela possível passagem de água ou gás carbônico líquido que compactou o sedimento arenoso em rochas sedimentares detríticas. 

Uma das principais características de uma astroblema são as brechas e os vidros de impacto produzidos no momento de formação da cratera. Assim, para distinguir facilmente se determinada depressão é uma astroblema, basta verificar se há vidros de impactos (impactitos ou tectitos) dentro da cratera e se há também brechas de impacto (em inglês: impact melt breccia). Em muitas astroblemas podem ser encontrados fragmentos do meteorito original que a formou, é o caso da cratera de Barringer ou Meteor Crater no Arizona, os fragmentos lá encontrados são metálicos e receberam o nome de Canyon Diablo e estão na classificação de sideritos. Outro exemplo é a cratera de Wolf Creek na Austrália, essa astroblema é mais antiga que a do Arizona, ela possui cerca de 300 mil anos de idade e mesmo assim foram encontrados diversos fragmentos do meteorito original também de ferro-níquel. No entanto os meteoritos de Wolf Creek estão tão intemperizados devido ao longo tempo de exposição ao solo e ao oxigênio atmosférico que eles estão quase totalmente oxidados e seus formatos não apresentam mais regmaglytos visíveis.

Existem dois tipos de crateras de impacto ou astroblemas: as complexas, que possuem uma elevação central e são gigantescas e as simples, que não possuem elevação central e são menores. Veja abaixo um esquema ilustrando a formação de uma astroblema simples.

           

 Abaixo está o esquema simplificado ilustrando os dois tipos de astroblemas observados pelos cientistas, as simples e as complexas.

           

Abaixo a foto da cratera de Wolf Creek e um meteorito Wolf Creek, fragmento residual do meteorito de metal que formou a cratera de Wolf Creek na Austrália há 300 mil anos. 

         

        

 IMAGEM DE OUTRAS ASTROBLEMAS NO SISTEMA SOLAR:

              

                                                 PEQUENO VALE DE CRATERAS - LUA

         

                                                         CRATERA VITÓRIA - MARTE

         

                                                             CRATERA LOWELL - MARTE

         

                                                       CRATERA DEGAS - MERCÚRIO

           

                               CRATERAS ACHELOUS (ABAIXO) E GULA (ACIMA) - GANYMEDES

              

               

                                               VALE DE CRATERAS GELADAS - CALYSTO

              

                                                             CRATERA GOLUBIKNA - VÊNUS