METEORITOS

Cometas

  A nuvem de Oort é uma gigantesca "bolha" de pedras de gelo de diversas tamanhos que se estende além da órbita de Plutão com um raio médio, com centro no Sol, de 20000 UA. Essa névoa de gelo e gás é matéria residual da formação do Sistema Solar.
    Jean Hendrick Oort foi o descobridor da nuvem. Ele verificou que os cometas vinham de uma região localizada a 20000 UA (1 UA = 150 milhões de quilômetros, é a distância da Terra ao Sol, equivale a aprox. 8 min-luz). Na verdade, a nuvem de Oort nunca foi vista por nenhum telescópio, ela é tênue e, por estar muito longe e ter grandes dimensões, possui pouca refletividade óptica.
 
 
                            CONCEPÇÃO ARTÍSTICA DA NUVEM DE OORT
 

As rochas de gelo e gás aprisionado nestas se deslocam desse gigantesco aglomerado e viajam em direção à órbita de Plutão para ingressar no Sistema Solar. A pedra é atraída pela gravidade do Sol, passa pelos planetas gasosos e ao chegar em Júpiter, muitas vezes, são atraídos e tragados pela sua gravidade impactando sua atmosfera gasosa, um exemplo foi o impacto do cometa Shoemaker Levy 9 que se partiu em gigantescos pedaços e cada um destes chocou-se um a um contra a grossa atmosfera de Júpiter, deixando no gigante gasoso manchas de diâmetros comparáveis com o diâmetro do planeta Terra.

 Quando estas rochas não são tragadas pelo campo gravitacional de Júpiter, podem chegar ao Sistema Solar Interior e ir em direção ao Sol. Ao aproximar-se do Sol, os ventos solares e a pressão de radiação solar começam a fragmentar a rocha que cria um vórtice ou "cauda" de poeira e gelo que se desprendem da mesma. O gás também é liberado e ionizado pelas partículas carregadas do vento solar (prótons, elétrons, pósitrons, partículas alfa, dêuterons, íons de sódio, cálcio etc) constituindo uma segunda cauda de gás ionizado colorido (a cor depende do gás). Esse processo físico que acontece no cometa gera o seu brilho, devido a este passar a emitir radiação eletromagnético devido a ionização do gás liberado. O cometa é constituído de um núcleo (é a própria pedra que deu origem ao cometa), o coma (região onde nasce o vórtice de poeira e gás), a cauda de poeira e a cauda de gás, lembrando que a cauda de gás e poeira se projeta em direção oposta à incidência de luz solar, isso significa que não é obrigatório que a cauda se projete na direção oposta ao sentido do vetor velocidade do cometa. O núcleo de um cometa pode ser ativo, ou seja, apresentar jatos de gás seco, algo semelhante a geisers, o principal gás que se desprende do núcleo é o hidrogênio, daí a cauda gasosa ser chamada de envelope de hidrogênio, a cauda gasosa divide-se em outras duas componentes, o hidrogênio neutro molecular e o hidrogênio ionizado.

Um cometa se aproxima do Sol devido ao campo gravitacional produzido pelo mesmo e faz a sua trajetória no espaço, essas trajetórias, as órbitas, estão contidas em um plano que pode está seccionando a eclíptica, isso pode fazer com que a órbita do cometa esteja "mergulhando" perpendicularmente além das órbitas da maioria dos planetas, as órbitas cometárias podem ser:
-HIPERBÓLICAS: o cometa se aproxima do Sol, realiza uma curva hiperbólica no periélio e não retorna mais.
-PARABÓLICAS: o cometa aproxima-se do Sol, realiza uma curva parabólica no periélio e desaparece.
-ELÍPTICAS: o cometa aproxima-se do Sol, realiza uma curva no periélio, se afasta até o afélio e retorna em um ciclo ou período cometário calculado pelos astrônomos, o cometa Halley, o cometa Halle-Bopp, Hyakutake e o Encke são exemplos de cometas que possuem órbitas elípticas.
As órbitas cometárias elípticas são, normalmente muito excêntricas. Como exemplo, a excentricidade da órbita do cometa Halley é de 0,96.

    Estes cometas que retornam para próximo ao Sol de período a período são, normalmente, de períodos longos. Como exemplo, o cometa Hyakutake e o Halle-Bopp passam próximo ao Sol, podendo ser vistos da Terra, a cada 4000 anos aproximadamente.

NÚCLEOS DE ALGUNS COMETAS

                                     NÚCLEO DO COMETA HALLEY

                    NÚCLEO DO COMETA TEMPEL 1. SONDA DEEP IMPACT, NASA

                 NÚCLEO DO COMETA WILD 2, À DIREITA SEUS JATOS DE GÁS

               NÚCLEO DO COMETA BORRELLY E À DIREITA SEUS JATOS DE GÁS
            
    Analisando os núcleos desses cometas, chega-se à conclusão de que estes são muito semelhantes se não iguais aos asteróides. Será que isso realmente é verdade? A NASA lançou a sonda STAR DUST em 7 de fevereiro de 1999, com o objetivo de alcançar o cometa Wild 2 e coletar suas partículas. A sonda chegou à Terra em 15 de janeiro de 2006 trazendo consigo a amostra da poeira do cometa em uma cápsula.

    Os cientistas acreditam que o material coletado pela sonda é mais antigo que o Sistema Solar. A poeira foi analisada e agora sabe-se que a composição dos cometas é muito semelhante ao dos asteróides. No entanto, a semelhança não quer dizer que estes sejam a mesma coisa. Os asteróides, por incrível que pareça, são mais recentes, eles se originaram dos planetésimos (veja meu artigo sobre asteróides nesse site). Já os cometas foram parte do material primordial que não participou do processo de formação dos planetas e portanto são mais antigos do que os asteróides.


    
                                          COMETA HALLEY
                                          COMETA HYAKUTAKE

                                        COMETA HALLE-BOPP