METEORITOS

Meteoritos Lunares

Os caçadores de meteoritos na Antártica estavam encontrando meteoritos de classificação acondrítica, porém esses acondritos eram diferentes de qualquer outro tipo, eles não se enquadravam no grupo HED (howardittos, eucritos e diogenitos), não se aplicavam ao grupo SNC (shergottitos, nakhilitos e chassignitos) e nem um outro grupo de acondrito. 

Com as missões Apollo da Nasa, muitos quilogramas de rochas lunares foram trazidas para a Terra pelos astronautas. Essas rochas da Lua foram analisadas no contexto dos acondritos não-classificados que estavam sendo achados na Antártica. Os cientistas chegaram a conclusão de que os meteoritos que não estavam sendo agrupados eram rochas lunares. Os meteoritos eram pedaços da Lua, sim, isso foi possível porque compararam as rochas da Lua trazidas pelos astronautas com os meteoritos encontrados na Antártica.

Um meteorito lunar é uma rocha que se desprendeu da Lua devido a violentos impactos meteóricos na superfície da Lua, então os pedaços de solo lunar ficaram vagando pelo espaço como meteoróides até que muitos entraram na atmosfera da Terra e acabaram caindo na superfície de nosso planeta e terminaram como meteoritos. Os meteoritos lunares por serem acondritos receberam um nome alternativo: lunaítos, isto é, são acondritos lunares.    

                          

 Diferentemente dos acondritos primitivos e diferenciados de origem nos asteróides, os acondritos lunares ou lunaítos possuem características de rocha vulcânica, são rochas ricas em feldspato, cálcio e magnésio, além de óxido de ferro e de alumínio. As rochas lunares podem ser separadas basicamente em dois tipos:

METEORITOS LUNARES BASÁLTICOS: Tem origem nos mares (ou maria no latim) lunares. Os mares são a região escura da Lua (ver fig. acima), essa região é a mais recente da Lua, possuem uma idade máxima de 2 bilhões de anos, isso quer dizer que dois bilhões de anos atrás a Lua cessou suas atividades vulcânicas. Os mares são bacias de derramamento e espalhamento de magma ou basaltos líquidos que solidificaram e preencheram muitas das gigantescas crateras de impacto que haviam nessa região, os mares estão presentes no lado visível da Lua, os meteoritos basálticos apresentam cristais de feldspato, são ricos em óxidos de ferro e alumínio e apresentam alto teor de tório (elemento radioativo da família dos actinídios na tabela periódica, possui número atômico 90),esses basaltos podem aparecer como gabros, misturas de critais e clastos de rochas feldspáticas e piroxenio, como brechas que são combinações de pedaços angulosos e grandes de cristais de feldpato e quartzo mergulhados numa matriz basáltica, ou como basalto homogeneo onde está presente apenas a matriz basáltica com muitas inclusões de piroxenio e alto teor de cálcio.

METEORITOS LUNARES REGOLÍTICOS (BRECHAS): São também chamados de brechas de regolito lunar e brechas de impacto, eles são provenientes do lado claro da Lua, ou terras (terrae no latim) lunares, são as rochas mais antigas da Lua e se foramaram na época em que a própria Lua estava sendo formada, se converteram em brechas devido aos impactos de meteoritos na época do bombaredeamento pesado que ocorreu entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás, as brechas são rochas formadas em impactos de grande magnitude e como grande parte da Lua é coberta de crateras, as brechas lunares são abundantes. O regolito é uma camada de fino pó e cascalho de rochas que foram fortemente erodidas durante bilhões de anos por impactos de micrometeoróides e pela radiação cósmica e solar. O regolito é a "areia" onde os astronautas das missões Apollo pisaram e deixaram suas pegadas, um pó microscopicamente fino, nessa região, as pedras que ainda ficaram intactas nessa região são as brechas de regolito, as rochas mais antigas da Lua, elas tem uma datação máxima de 4,18 bilhões de anos. As brechas de regolito são pobres em tório e também em cálcio, mas possuem baixo teor de ferro na forma de óxido, o alumínio está mais presente, essas rochas também foram formadas por processos ígneos, só que esse processo foi quando a Lua estava fundida por inteiro e os materiais mais pesados como o ferro escorreram para o interior do satélite em formação, daí o motivo das brechas lunares serem pobres em óxido de ferro (FeO). As brechas lunares são rochas que possuem uma matriz de piroxeno de origem ígnea primitiva, onde nessa matriz estão encravados pedaços de plagioclasos. Essas rochas são ricas em anortita, um mineral rico em cálcio, daí o nome de algumas dessas rochas serem brechas anorthosíticas. Devido a área branca ser a predominante na Lua, os meteoritos lunares de regolito (brechas lunares) são o que mais são encontrados pelos caçadores de meteoritos nos desertos e na Antártica.

A Lua possui então uma crosta que é mais predominante em brechas anorthosíticas, os basaltos ali estão por processos vulcânicos na época em que a Lua já estava formada por completo, então os basaltos trouxeram o ferro de volta a superfície nos mares lunares, daí o motivo de os basaltos lunares serem ricos em óxido de ferro e de alumínio mesmo estando na superfície. O manto lunar é basáltico e frio, algumas regiões podem ainda estar fundidas e na forma de magma (não se sabe se a Lua ainda possui pequenas atividades vulcânicas, isso pode ser considerada uma questão ainda em aberto). O núcleo ou região central seria rico em ferro e alumínio, além de poder conter o níquel que na ápoca primordial foi formado junto ao ferro e foi difundido na nuvem primordial, esse núcleo seria parcialmente fundido.

                 

 Muitos meteoritos lunares foram encontrados no saara e em marrocos e foram nomedos em NORTHWEST AFRICA e o número de sequência e SAHARA, outros foram achados em Oman e foram nomeados na sequência dos meteoritos DHOFAR. A maioria foi encontrado na Antártida e foram nomeados de acordo com o lugar de achado: MCALPINE HILLS, ALLAN HILLS, QUEEN ALEXANDRA RANGE, METEORITE HILLS, etc.

A maioria deles, exatamente de acordo com a estatística, são brechas anorthosíticas lunares. Apenas um pequeno número são basaltos lunares, entre estes estão os basaltos propriamente ditos, os gabros, e as brechas basálticas.

RECONHECIMENTO DOS METEORITOS LUNARES:

Os cientistas sabem que esses meteoritos tem origem lunar porque primeiro eles comparam eles com as rochas lunares trazidas pelas missões Apollo da NASA, analisam o teor de cálcio e o teor de elementos radioativos como o tório, o samário e o európio (respectivamente elementos metálicos de transição interna actinídios e lantanídios da tabela periódica). Sabem que são meteoritos porque eles possuem crosta de fusão e possuem isótopos radioativos formados pela penetração de radiação cósmica que não existe no ambiente atmosférico de nosso planeta.

 IMAGENS DE METEORITOS LUNARES:

-BRECHAS ANORTHOSÍTICAS LUNARES:

            

                       DHOFAR 280 - METEORITO LUNAR ANORTHOSÍTICO 

          

                                                DHOFAR 1428 

          

                                                DAR AL GANI 262

           

                                                   DHOFAR 910

              

                                        METEORITE HILLS 1210

          

                                         MC ALPINE HILLS 88105

         

                                      NORTHWEST AFRICA 5207

-BASALTOS LUNARES

            

                                    ASUKA 881757 - GABRO LUNAR

            

                    ELEPHANT MORAINE 87521 - BRECHA BASÁLTICA LUNAR

            

                             NORTHWEST AFRICA 4898 - BASALTO LUNAR

Leia também meu artigo sobre METEORITO LUNAR na WIKIPÉDIA