METEORITOS

Meteoritos Marcianos

O grupo dos meteoritos acondritos tem se tornado grande demais, os acondritos possuem dois grupos compostos: o HED e o SNC. Esse último grupo (SNC) de acondritos reúne os meteoritos que tem origem em Marte.

Esses meteoritos são de natureza vulcânica antiga, possuem minerais que aprisionam gases atmosféricos e são ricos em ferro na sua forma de óxido além de outras substâncias como isótopos específicos de oxigênio e hidrogênio (deutério). Esses acondritos se mostraram diferentes dos outros acondritos, apresentando marcas químicas de erosão gasosa e de alto índice de radiação ultravioleta, devido à composição dos gases e a quantidade de cada um destes aprisionados em minerais de acondritos SNC, os cientistas concluíram que era compatível com a composição da atmosfera de Marte que foi medida pela primeira sonda Viking da NASA.

Com isso o grupo dos SNC é classificado como o grupo dos meteoritos que vieram de Marte, os meteoritos que tem origem em asteróides ajudam os cientistas a estudar a geologia destes sem precisar construir uma sonda espacial para esta fazer uma longa viajem a um asteróide e coletar uma amostra e analisar de uma forma muito limitada longe dos olhos do homem. Da mesma forma os meteoritos marcianos ajudam o homem a conhecer um pouco mais da geologia de Marte sem precisar observar suas pedras no próprio planeta.

Os acondritos SNC se dividem em:

SHERGOTTITOS: Os shergottitos receberam esse nome porque o primeiro do tipo foi o meteorito Shergotty que cuja queda foi presenciada na Ìndia, esse meteorito é uma rocha vulcânica de Marte rica em basaltos e rochas clásticas de natureza ferruginosa, são muito antigos pois datam da formação do próprio planeta Marte, 4,55 bilhões de anos atrás. Os shergottitos são os mais comuns dos meteoritos marcianos encontrados, o meteorito ZAGAMI (ver Photo Gallery - ZAGAMI - tipos de meteoritos) é um exemplo de outro Shergottito basáltico.

NAKHILITOS: O primeiro meteorito marciano do grupo foi o Nakhla cuja queda foi presenciada no Egito onde um dos fragmentos chegou a matar um cachorro. Os nakhilitos são rochas ígneas plutônicas de Marte, elas são ricas em olivina e silicatos,além de conterem inclusões clásticas de feldspatos e óxidos ferruginosos, os nakhilitos possuem um aspecto esverdeado predominante por causa do cristal de olivina que é esverdeado. Os nakhilitos são muito raros e além do meteorito Nakhla, pode-se citar o meteorito brasileiro Governador Valadares (ver Photo Gallery - GOVERNADOR VALADARES - Catálogo de Meteoritos). Os nakhilitos são rochas formadas por procesos ígneos intrusivos e estão presentes no subsolo denso do planeta Marte, os gases atmosféricos aprisionados nos minerais do meteorito Nakhla revelam uma época de maior abundância de gases nobres, provavelmente porque essas rochas foram formadas em bolsões vulcânicos de liberação de gases extras do interior do planeta, ou talvez também sejam produto de desintegração radioativa de algum mineral radioativo existente no interior dessas rochas.

CHASSIGNITOS: O primeiro meteorito foi o Chassigny cuja queda foi presenciada em 1815 na cidade francesa de mesmo nome. Os chassignitos são semelhantes aos nakhilitos, a diferença é que os chassignitos são ricos em rochas feldspáticas e inclusões clásticas alcalinas. Os chassignitos são tão raros quanto os nakhilitos, isso porque os chassignitos também devem ter origem no interior de Marte. (ver Photo Gallery - CHASSIGNY - Catálogo de Meteoritos)

Existe um  meteorito marciano especial que não diz respeito ao grupo acondrítico SNC, ele foi encontrado na Antártida, em Allan Hills, no ano de 1984 por pesquisadores e caçadores de meteoritos numa expedição da NASA. Esse meteorito agora nomeado como ALH84001 (ver Photo Gallery - ALH84001 - Catálogo de Meteoritos) cuja origem foi confirmada, veio de Marte. Essa rocha tem uma idade de 4,5 bilhões de anos, a época, de acordo com a conclusão dos estudiosos de Marte, em que Marte tinha oceanos de água líquida e talvez até vida primitiva. O meteorito ALH84001 é um pedaço do solo de Marte, ele foi ejetado da superfície de Marte devido a um violento impacto de asteróide num passado remoto, então um pedaço ejetado de Marte vagou pelo espaço por milhões de anos até que foi atraído pela gravidade da Terra, entrou na atmosfera e caiu na Antártida onde permaneceu coberto de gelo por 13 mil anos até ser finalmente encontrado. 

               

O ALH84001 não é um acondrito SNC, ele foi classificado como ortopiroxenito pobre em cálcio (símb.: OPX) devido a abundância de ortopiroxeno em seu conteúdo. Os gases presentes nos minerais desse meteorito revelaram ser uma amostra da atmosfera de Marte encapsulada na pedra. Os indícios de atividade aquosa no meteorito ALH84001 foram surpreendentemente confirmados. Outra coisa assustadora que ocorreu foi que cientistas da NASA descobriram estruturas filamentosas aos montes no interior do meteorito com o auxílio de um microscópio eletrônico de varredura. Essas estruturas microscópicas se assemelham a microfósseis de bactérias, seriam esses realmente microfósseis, e se são, será que essas bactérias são de Marte ou o meteorito foi contaminado com bactérias de nosso próprio planeta. Existem algumas hipóteses que comprovam que essas estruturas podem ser bactérias de Marte e que o meteorito não foi contaminado.

         

-CARBONO ORGÂNICO E INORGÂNICO: Se o meteorito ALH84001 tivesse sido contaminado, haveria indícios de carbono na crosta de fusão do meteorito, isto é, na parte exterior da rocha, e a quantidade de carbono tenderia a diminuir a medida que se aprofundasse no interior do meteorito. Esse teste foi feito, e deu negativo. O meteorito não possui nem sequer traços de carbono na crosta de fusão, e a medida que os cientistas analisaram cada vez mais fundo na rocha, descobriram um aumento tremendo na quantidade de carbono, o meteorito é originalmente rico em carbono, ele não foi contaminado.

-MICROFÓSSEIS: As estruturas de microfósseis de bactérias foram descobertas no meteorito, seriam essas estruturas realmente fósseis de bactérias marcianas? Isso poderia ser explicado como grânulos inorgânicos de algum mineral, mas essas estruturas filamentosas estão próximas e imersas em evidências químicas de atividade biológica.

-GLÓBULOS DE CARBONATO: Foram encontrados glóbulos de carbonato na rocha e esse composto iônico é produzido por metabolismos de bactérias aqui na Terra, os microfósseis parecem ter ligação com esse grânulos de carbonato. 

        

-GRÃOS DE MAGNETITA: A magnetita é um mineral de ferro cujos cristais são produzidos por atividade orgânica por bactérias terrestres magnetotáticas que produzem os grãos de magnetita por se alimentarem de minerais ricos em ferro em rochas, no meteorito ALH84001 foram encontrados cristais de magnetita em volta dos glóbulos de carbonato e a semelhança com a magnetita produzida por bactérias é grande.

          

-PRESENÇA DE H.P.A: Os H.P.A's são hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, compostos orgânicos produzidos pela decompoisção orgânica de bactérias que morrem e se fossilizam por permineralização. Grande quantidade de H.P.A's foram encontrados no meteorito ALH84001. Esses hidrocarbonetos são amplamente estudados na química orgânica, essas moléculas são formadas da junção de dois ou mais anéis aromáticos que são a molécula do benzeno, hidrocarboneto aromático descoberto pelo químico Kekulé no séc. XIX.

         

Todas essas evidências juntas em um só meteorito leva a conclusão de que realmente houve ou ainda há vida microbiana e primitiva no planeta Marte.

(ver Vídeos - Life on Mars - ALH84001)

-IMAGENS DE METEORITOS MARCIANOS 

          

                           ALHA 77005 - SHERGOTTITO LHERZOLÍTICO

           

                   NORTHWEST AFRICA 1460 - SHERGOTTITO BASÁLTICO

            

                       DAR AL GANI 476 - SHERGOTTITO LHERZOLÍTICO

          

                  NORTHWEST AFRICA 998 - NAKHILITO (CLINOPIROXENITO)

           

                NORTHWEST AFRICA 817 -NAKHILITO (CLINOPIROXENITO)

             

                       NORTHWEST AFRICA 2737 - CHASSIGNITO (DUNITO)

(ver também o site da NASA (JPL) sobre meteoritos marcianos.)